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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Escalada em Pedra Azul

Desperto abruptamente devido a claridade que invade o ambiente, sinto um pequeno incômodo e logo me levanto para aliviar aquela tensão causada pelos inúmeros copos de cerveja ingeridos na noite anterior. Após me sentir um pouco melhor, busco na paisagem através da janela um sinal de estabilidade, este que já esperávamos há alguns dias, sucumbindo impiedosamente ao legado destacado na região, composto do fermentado da garapa destilado, mais conhecido como cachaça, que impera na economia local. Observando a nebulosidade presente em toda a extensão do céu, não hesitei em comentar com os amigos ali presentes, dos quais imaginei que estariam embriagados pela sonolência, mas que se mostraram ativos logo na primeira reação.

-“Se for pra ir vai ser agora!”

Foi a primeira resposta que ouvimos, visto que o horário já se mostrava adiantado, eram por volta de onze horas da manhã e ainda tínhamos cerca de duzentos quilômetros de estrada para chegar ao nosso destino, estas que estavam desgastadas, resultado de chuvas ininterruptas em um caminho que há muito não recebe manutenção adequada, aliás sequer tem uma estrutura aceitável, uma estrada de terra com inúmeros buracos, depressões, poças d’água e barro, seqüenciada por uma estrada asfaltada e bem sinalizada porém comandada por carretas gigantes, estas que vão até os trinta metros de extensão. Ainda em Taiobeiras procuramos alguns itens que ainda faltavam em nossas bagagens, como a chave de boca e a marreta, indispensáveis para a conquista e algo para forrar o estômago, já que alimentar era fora de cogitação, visto que a noitada anterior rejeitou uma ingestão apropriada àquela atividade que estávamos nos preparando.

Depois de um bom trecho de estradas começamos a visualizar os gigantes maciços rochosos, a iniciar por uma bela formação em Medina e muitas outras na chegada de nosso destino, a bucólica cidade de Pedra Azul. Como nosso horário era curto, decidimos sequer contemplar aquela bela paisagem e fomos diretamente ao Forno de Bolo, destacado por parecer fielmente ao seu homônimo, e emoldura este fantástico município provedor de um dos mitos da cultura musical brasileira.

A caminhada até a rocha foi um pouco morosa, no entanto por volta das três horas da tarde estávamos na base da via, onde existe uma seta caracterizando o rumo a tomar para se alcançar a primeira chapeleta e rapidamente iniciamos a escalada. As três primeiras cordadas, conquistadas anteriormente pelos companheiros Fabinho e Luzinha são mais expostas porém muito fáceis, mas ao chegarmos na P3, nos deparamos com uma “barriga” desprovida de agarras e a partir daí a conquista passou a ser um misto de artificial e livre, encadeados depois pelo companheiro Fabinho, que a graduou em 7c predominando o sexto grau. Na P4 surgiu outro problema, as macambiras que espetavam as nossas mãos a cada agarra que usávamos predominava acima desta parada, daí o Fabinho tomou frente e encarou o desafio de “abrir espinho no peito” e após um belo lance de fendas e diedros acabou encontrando um grampo “P” onde vimos que a via se encontra com outra próxima ao cume, mas mesmo pesquisando não achei nenhuma informação sobre esta via. Subindo costão acima e um filhote de jararaca no meio da via, batemos mais uma parada dupla e pouco após mais outro grampo, mais trinta metros acima e CUME! Isso já eram por volta de oito e meia da noite e após uma pequena comemoração e registro no livro, iniciamos os rapéis, caracterizados pela má escolha nossa dos equipamentos e acabamos sendo prejudicados por uma corda estática de cem metros que torcia cada vez mais a cada descida e formava um “bolo” complexo de desembolar, e chegamos ao chão somente por volta de uma da manhã!

Após forrar o estômago em Pedra Azul pegamos estrada para Taiobeiras, onde chegamos por volta de cinco da matina e finalmente podíamos descansar!! Saudações a família Pires e Santana, por nos acolherem nesta aconchegante cidade e aos parceiros Luzinha e Fabinho, por persistirem a voltar neste belo monumento natural do qual este grandioso estado de Minas dispõe!
 A imponente cabeça torta
 Cordada da barriga, graduada em 7c
 Fita abandonada para rapel
 Detalhe da corda estática "dos infernos" que se tornou uma bololância impossível de desembolar
 ART
 A rocha, um misto de macambiras e pedras soltas
 arrumando os equipos
 3a cordada da via, cordada fácil, porém exposta
 Comemorando o CUME!
 No caminho de Pedra Azul, só alegria
 Rodovia estadual
 travessia do brejo
 Forno de bolo, a via segue a esquerda da grande canaleta
 Livro de cume
 Forno de bolo com a rodovia de acesso a Pedra Azul ao fundo
 E a chuva nos acompanhava incessantemente
Fabinho "perrengando" no crux da via
Via Padre Iluminando a Vela Face Leste do Forno de Bolo IV 7A (7C/A1) E3 D2 335 mts + costão

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

croqui vale do paraíso perdido


Todas as vias fixas eu ainda não tenho informação, portanto, atualizarei logo que possível..

Bloco da batcaverna
linha laranja - XXXXX - fixa +- 30 mts 8?/9?
linha vermelha - XXXXX - fixa +- 25 mts 7?/8?
linha amarela - fissura da ilusão - móvel +- 35 mts 7a/b
linha azul - XXXXX - fixa +- 12 mts 8?/9?
linha verde - XXXXX - fixa +-12 mts 8?/9?

bloco da caverninha
linha roxa - XXXXX - fixa - 7?/8? +- 20 mts
linha laranja - fissura sabrusa - móvel - 7a/b +- 30 mts

bloco da inflação
linha vermelha - fissura 3 por 1 - móvel - 5sup/6 +- 30 mts

bloco do couro de cobra
linha azul - vestígios da peçonha - móvel - a1+/9? - +- 13 mts
linha amarela - constrição da jibóia - móvel - 6sup - +- 35 mts

bloco do dentinho
linha verde - aparelho fixo - fixo - 5sup/6 +- 30 mts
linha roxa - aparelho móvel - móvel - 6sup +- 30 mts

bloco do canino
linha laranja - ex-corega - móvel - 7a +- 18 mts
pontão do desespero
linha vermelha - fissura no peito e na raça - móvel - 6sup +- 30 mts
a maioria das vias estão publicadas individualmente em postagens antigas neste blog, no marcador "escalada igarapé"
Para acessar o vale do paraíso perdido, deve-se seguir fielmente ao caminho da pedra grande, no entanto, na primeira bifurcação da estrada, no início do trecho de terra, há uma placa indicando "usiminas mina leste - 7km", fique atento, pois você deverá virar à terceira trilha à esquerda (esta comporta carros de passeio) após esta placa, a característica desta trilha é que nos primeiros cem metros há uma curva brusca à esquerda com uma pequena vala e mais ou menos cem metros depois, no meio da estrada há um fogareiro feito de pedra, após este fogareiro, virar à direita e estacionar no descampado, no final da estrada. Deve-se subir a trilha principal até a primeira curva de nível, virar à esquerda e subir à direita nos primeiros cem metros, +- 30 mts à frente, a trilha entra em outra curva de nível, basta andar mais uns 500 mts que se chega ao início do vale e a trilha vai acompanhando o escoamento natural de água, sendo impossível de se perder.
Leve muita água e não deixe seu lixo, a natureza agradece...
mais informações me envie e-mail - mussumanu@hotmail.com terei prazer em responder!
boas escaladas

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Escalada na cascatinha do retiro





Localizada próxima ao condomínio Retiro das Pedras, esta pequena queda d'água é formada por duas nascentes que se formam no alto da serra da calçada, esta que sempre atraiu amantes da natureza que conciliam vários tipos de atividades e esportes ao ambiente deslumbrante desta localidade. Trata-se de uma formação em chapada que a rocha predominante é o quartzito, e em sua maioria se encontram várias faces negativas alternadas por grandes platôs, que atravessam a formação de fora a fora e proporcionam descansos ao longo de suas vias. Me parece que a primeira via do setor de baixo foi conquistada em 97, por Gustavo Piancastelli, escalador local que abriu a via em uma linha de alta negatividade com vários lances técnicos muito exigentes, com uma pequena exposição que faz muito escalador chorar para mandar o lance!!

O visual é muito bonito e as águas são cristalinas, proporcionando um bom banho durante e após as escaladas, e é potável, desde que seja captada antes das trilhas existentes ao longo do riacho.

Seu acesso é um pouco difícil, sendo aproximadamente uma caminhada de uns 25 minutos, com descidas e subidas "puxadas" porém nada que vá matar alguém, e uma natureza deslumbrante, com destaque para as plantas de cerrado e as bromélias, presentes a todo o longo da serra.

Há uma grande diversidade de trilhas e caminhos dos escravos, por ter uma ruína próxima onde se cunhavam barras e moedas de ouro e é remanescente de uma fazenda do século XVIII, das explorações de ouro do Brasil colônia.

No setor de cima se localizam três vias de 8 metros, sendo da esquerda para a direita: tótem 5, lê bigodê 6 e apocalipse no! 6+/7a; no setor de baixo, da esq>>dir: sabor da conquista 6 20 mts, chuva de cascata 6 20 mts, projeto 7a 15 mts, Dr. clean 7b 30 mts e sua variante, a Dr. grotz 9a/b 12 mts, vias de alto padrão e bem fortes, porém com ótimos descansos.

A principal vantagem de se escalar na cascatinha é que em apenas uma hora saindo de BH já dá pra escalar em um ambiente natural, onde a dificuldade de acesso proporciona a seletividade dos visitantes e se têm sombra e água ao longo de todo o dia!